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Game developer: a rotina de criação e programação de jogos digitais

O campo-larguense Ráfagan Abreu conta como é a carreira de game developer, profissional responsável pelo desenvolvimento de jogos digitais e fala sobre o mercado para quem trabalha com programação

Por: Caroline Paulart

Neste sábado (29) é comemorado o Dia do Gamer. E entre muitas histórias de jogadores profissionais ou em ascensão que divulgamos no jornal, nesta data também está o lado criativo e responsável por levar esse entretenimento às pessoas, a do profissional game developer, que além de criar jogos, também é um desenvolvedor e programador de sistemas.

O universo da programação permite que o profissional consiga trabalhar em várias frentes, desde o desenvolvimento de servidor, programas, sites, aplicativos e jogos. O campo-larguense Ráfagan Abreu trabalha como game developer, ou seja, participa do processo de criação de jogos em 2D e 3D e aplicativos na empresa curitibana Kolb Apps.

Ele conta que desde criança queria trabalhar no desenvolvimento de jogos. “Eu jogava bastante quando era pequeno e sempre achava que quem criava o jogo era o melhor, conseguiria fechar mais rápido e por isso eu queria criar jogos também. Quando eu estava no Ensino Fundamental, minha professora de Língua Portuguesa me incentivou a criar meus textos com base em histórias e personagens que eu criava para jogos. Os anos foram passando e eu, perto de concluir o Ensino Médio, comecei a procurar cursos de desenvolvimento de jogos digitais e cheguei às opções da Universidade Positivo e da Pontifícia Universidade Católica Paraná (PUCPR). Decidi pela PUCPR e cursava junto com História na Universidade Federal do Paraná. Em 2011 aconteceram aquelas greves e eu desisti de História e me formei em Jogos Digitais.”

Ele conta que dentro da carreira de desenvolvedor de jogos há quatro grandes áreas, que são o programador, responsável pelo desenvolvimento do programa do jogo; o artista, que cria o desenho; o músico que faz toda a parte de trilha e efeitos de áudio e o gamer designer, responsável pela história e mecânica do jogo.

“Eu foquei na parte de programação e adianto que quem decidir por essa área tem que gostar bastante de computadores e de ficar por oito horas trabalhando com isso, na monotonia e é uma área que envolve muita matemática também. O artista tem que gostar muito de desenho, cores fortes, trabalho em aquarela, principalmente, ter muito repertório e percepção de detalhes. O músico, por sua vez, tem que conhecer muito bem um instrumento, pelo menos, especialmente o teclado, pois a partir dele é possível criar muitas coisas. Já o game designer tem que gostar de jogar vários jogos, ser curioso para conhecer os processos do jogo e a composição dos cenários. Os melhores que conheci tinham esse perfil, em 30 minutos de jogo conseguiam ter uma percepção muito ampla”, conta.

A criação dos jogos, o tempo e o dinheiro investidos dependem muito de projeto a projeto. Em um projeto empreendedor, conforme conta Ráfagan, é possível lançar após cinco a seis meses de trabalho, com atualizações constantes, como acontecem em jogos de aplicativo para celular. Já jogos hollywoodianos, com efeitos e histórias, o investimento é bastante alto e pode levar quatro anos ou mais para serem lançados.

“Existem ainda os indie game developer, que são pessoas que têm projetos independentes, de baixo orçamento e está focado no artístico, levando uma experiência diferenciada ao jogador. Eu participei do projeto Eternal Hope e meu nome está nos créditos do jogo”, explica.

 

Mercado de trabalho

O software de jogo é um dos mais caros para ser desenvolvido e hoje a maioria dos profissionais está ganhando em dólar, o que deixa o valor no Brasil ainda mais competitivo. Mesmo morando no Brasil, esses profissionais conseguem trabalhar em qualquer lugar do mundo, pois tudo acontece por meio digital, basta ter conhecimento sobre os softwares de desenvolvimento e na língua inglesa.

“Dificilmente alguém vai sair da faculdade com emprego garantido na área de desenvolvimento de jogos. É preciso ganhar experiência em outras áreas, vivência em desenvolvimento de sites e aplicativos, free lancer, procurar oportunidade e manter o Linkedin bem atualizado, pois a maioria dos contatos surgem por ali. Há muitas empresas que estão contratando hoje, o mercado está favorável, especialmente nesse momento de pandemia, que houve um crescimento no interesse pelos jogos”, finaliza.

Para quem quiser conhecer mais sobre empresas que desenvolvem jogos no Brasil e no Paraná, Ráfagan indica acompanhar a Kolb Apps, Hoplon, Aquiris, Wildlife Studios – a chamada unicórnio Brasileiro avaliada em US$ 1,3 bilhão pelo Benchmark Capital; Opala Studio, Beetools e Class Quest.

 

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