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Câncer de pulmão é um dos que mais levam a morte homens e mulheres no Brasil

Médico cirurgião oncologista explica a relação entre o tabagismo e o desenvolvimento do câncer de pulmão e alerta para a necessidade do diagnóstico precoce para maiores chances de sobrevida.

Por: Caroline Paulart

A campanha Agosto Branco dedica-se à conscientização sobre a importância de parar de fumar e, principalmente, a descoberta precoce do câncer de pulmão, um dos mais comuns no Brasil e no mundo. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil - sem contar o câncer de pele não melanoma. Para 2020 a estatística do Inca é de 30.200 novos casos, sendo 17.760 homens e 12.440 mulheres. Em 2018, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer, foram registradas 28.717 mortes decorrentes desse tipo de câncer, sendo 16.371 homens e 12.346 mulheres.

O médico cirurgião oncológico Dr. Gustavo Canevari explicou que esse tipo de câncer atinge, em 90% dos casos, tabagistas. “Uma pessoa que fuma tem de 15 a 60 vezes mais chances de desenvolver o câncer de pulmão, se comparado a outras pessoas. Em geral, as pessoas mais atingidas têm mais de 65 anos. Há situações em que pessoas mais jovens desenvolvem a doença, pois tudo depende também de quanto tempo ela fuma e quanto fuma por dia. Outras situações que podem causar o câncer de pulmão estão associadas a atividades laborais – especialmente pessoas que precisam trabalhar com substâncias químicas como arsênico, asbesto, berílio, cromo, radônio, urânio, níquel, cádmio, cloreto de vinila e éter de clorometil, exposição à poluição de grandes metrópoles e, em menor porcentagem ainda, os casos genéticos, que são muito raros.”

Entre os sintomas estão a tosse persistente, escarro com sangue, dor no peito, rouquidão, piora da falta de ar, perda de peso e de apetite, pneumonia recorrente ou bronquite, sentir-se cansado ou fraco e, em caso de pessoa fumante, o ritmo habitual da tosse é alterado e aparecem crises em horários incomuns. Em casos avançados pode apresentar metástase no fígado e cérebro, então apresenta sintomas associados nessas regiões. É importante procurar um médico o quanto antes para avaliação. Os exames pedidos podem incluir raios-X, tomografia e biópsia.

Dr. Gustavo segue explicando que há dois tipos de câncer de pulmão, de maneira mais simples, o de células pequenas, que é o mais agressivo, diagnosticado em estágio mais avançado na maioria das vezes e com maiores chances de recidiva e o de células maiores, que corresponde a 80% dos casos da doença. O tratamento consiste em procedimento cirúrgico, quimioterapia e radioterapia, sendo avaliado caso a caso pela equipe médica.


















Cuidar da saúde é o caminho
Os cuidados principais englobam a alimentação saudável e balanceada, a prática de exercícios físicos e, principalmente, parar de fumar. “Fumar não causa somente o câncer de pulmão, mas é fator preponderante para o aparecimento de outros tipos, como laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga e várias outras doenças cardiovasculares, de pele e respiratórias. É importante que todas as pessoas façam acompanhamento da sua saúde no médico de confiança para diagnosticar doenças o mais breve possível”, orienta.
A taxa de mortalidade desse câncer é alta justamente porque o diagnóstico precoce é bastante difícil. “Geralmente o paciente começa a apresentar sintomas quando a doença está avançada e as chances de cura são mais baixas. No câncer nós classificamos as chances de sobrevida de um a quatro, onde o ‘um’ é inicial, com chances de sobrevida maior de cinco anos e ‘quatro’ onde as chances de cura são nulas e os cuidados são paliativos. A grande parte dos pacientes chega entre os números ‘dois’ e ‘três’, por isso é uma corrida contra o tempo. Entendo que é difícil parar de fumar, mas com esforço e força de vontade é possível parar e ter uma vida mais saudável”, finaliza.

 Malefícios do cigarro
De acordo com o site do Inca, o tabagismo é reconhecido como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente nos produtos à base de tabaco. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de oito milhões de pessoas morrem em decorrência do tabagismo por ano, onde mais de sete milhões pelo uso direto desse produto, enquanto cerca de 1,2 milhão é o resultado de não-fumantes expostos ao fumo passivo.
Além do desenvolvimento de vários tipos de câncer, o tabagismo está associado a doenças crônicas não transmissíveis e também desenvolvimento de outras enfermidades, tais como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.                                             
“No Brasil, 428 pessoas morrem por dia por causa da dependência à nicotina. Por ano são 56,9 bilhões de reais perdidos devido a despesas médicas e perda de produtividade, e 156.216 mortes anuais poderiam ser evitadas. O maior peso é dado pelo câncer, doença cardíaca e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Das mortes anuais causadas pelo uso do tabaco: 34.999 mortes correspondem a doenças cardíacas; 31.120 mortes por DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica); 26.651 por outros cânceres; 23.762 por câncer de pulmão; 17.972 mortes por tabagismo passivo; 10.900 por pneumonia; 10.812 por AVC (acidente vascular cerebral)”, diz o texto do Inca.  Vale ressaltar que o pulmão comprometido pode complicar em caso de infecção causada pelo Coronavírus, como alerta o Ministério da Saúde.

 

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