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Campo-larguense com Atrofia Muscular Espinhal Tipo 02 está grávida de gêmeos

Jaqueline Busmeyer tem 28 anos, tem diagnóstico de AME tipo 02 e conta sobre os desafios da gestação gemelar em meio à pandemia

Por: Caroline Paulart

Independente da mulher, a gestação é um momento bastante desafiador, que promove várias mudanças no corpo e também na mente da futura mamãe. Jaqueline Busmeyer, de 28 anos, tem o diagnóstico de Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 02, que a deixou na cadeira de rodas desde os 13 anos, e conta como está sendo esse período de gestação de gêmeos dentro da sua condição de vida.

A descoberta aconteceu durante uma viagem feita junto dos pais e namorado dela. “Eu havia ganhado alguns quilinhos sem mudar nada da minha alimentação. Minha mãe havia sugerido que nós fizéssemos uma reeducação alimentar, não uma dieta, para voltar o peso e também comer de maneira mais saudável. Porém, meu pai insistiu para que eu fizesse um exame de gravidez e eu fiz de farmácia. O primeiro teste falhou, não apareceu resultado algum. No dia seguinte eu fiz outro teste e esse deu positivo. Eu chorava e não sabia o que pensar, pois ainda não estava nos meus planos engravidar. Meu namorado ficou assustado, mas feliz pela notícia, todos nós comemoramos muito e foi quando o amor de mãe nasceu em mim”, relembra.

A confirmação da gestação veio por meio de exame de sangue e em seguida foi feita a ecografia, que constatou que Jaqueline estava grávida de dois meses, de gêmeos bivitelinos – ou seja não serão idênticos. São dois meninos, que receberam o nome de Heitor e Otávio. Por conta do diagnóstico de AME, Jaqueline faz acompanhamento de gestação de alto risco no Hospital do Rocio e está em repouso. A equipe médica pretende seguir com a gestação até as 37 semanas, com parto cesáreo por conta da condição física da mãe, ser uma gestação gemelar e da posição dos bebês. Atualmente Jaqueline está com 34 semanas de gestação.

“Os médicos deixaram claro para mim que, apesar da minha condição física, eu poderia tentar fazer parto normal, caso os bebês encaixassem. Eu escolhi a cesárea porque eu tenho as minhas pernas atrofiadas, por conta da AME e também não tenho muita força, com pouco movimento e sensibilidade normal. Mas a gestação está transcorrendo dentro do esperado pela equipe, meus bebês são muito saudáveis e se desenvolveram perfeitamente. Eu estou ficando mais inchada, mas por eu não ter o movimento completo das pernas elas já ficavam inchadas antes no calor. Agora eu estou usando meias de compressão”, relata.

De acordo com o Blog da Saúde, do Ministério da Saúde, a AME “é uma doença rara, degenerativa, passada de pais para filhos e que interfere na capacidade do corpo de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, responsáveis pelos gestos voluntários vitais simples do corpo, como respirar, engolir e se mover”, e que não possui cura até o momento.

O diagnóstico de Jaqueline é para o tipo 2, que causa “fraqueza muscular e hipotonia resultante da degeneração e perda dos neurônios motores inferiores da medula espinhal e do núcleo do tronco cerebral”, segundo o site Orpha.

Jaqueline é filha adotiva e não sabe se existem outros casos na família biológica. “Os meus pais perceberam que eu era uma criança que não tinha firmeza, não conseguia ter controle do pescoço, ter equilíbrio ao sentar, por exemplo. Eles então passaram a levar ao pediatra para investigar e a corrida até os hospitais. Apesar disso eu andei com 11 meses, mesmo com dificuldades, não conseguia levantar sozinha. Essa dificuldade foi persistente até eu parar de andar, com 12 para 13 anos. Se alguém me empurrasse e eu caísse, não conseguia levantar sozinha e cada vez era mais difícil”, conta.

Na escola ela não conseguia fazer Educação Física, não corria e não conseguia praticar esportes. “Até eu parar de andar, eu passei por muitos médicos. No Hospital Pequeno Príncipe eu passei por inúmeros exames, inclusive alguns caríssimos que não eram cobertos pelo SUS na época. Aos 13 anos passei por uma cirurgia na coluna, para tratar de uma escoliose”, diz.

Ela fazia fisioterapia e hidroterapia, que precisaram ser pausadas por conta da pandemia. Jaqueline também precisa tomar alguns medicamentos para estabilizar a doença, aprovados pela equipe médica que cuida dela. Ela também está sendo monitorada com exames mais frequentes nesta fase, garantindo a saúde dos três.

“Minha vida já está completamente diferente agora, com os meus filhos. Eles são uma bênção e mostram para nós o sentido da vida. Aguardo ansiosamente a chegada deles, que receberão muito amor da nossa família”, finaliza.

Para quem quiser acompanhar a reta final da gravidez de Jaqueline, ela compartilha detalhes na sua página do Instagram @jaquebusmeyer.

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