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Adeus ao Félix Novak aos 99 anos de idade

Um eterno guerreiro. O ex-combatente campo-larguense Félix Novak, que com muito orgulho contava sua atuação na Segunda Guerra Mundial, faleceu na manhã desta quarta-feira (16), em casa.

Por: Danielli Artigas de Oliveira

Foto: Carlos Bassi

Um eterno guerreiro. O ex-combatente campo-larguense Félix Novak, que com muito orgulho contava sua atuação na Segunda Guerra Mundial, faleceu na manhã desta quarta-feira (16), em casa.  Ele vivia na região do Retiro, interior da cidade, e faleceu aos 99 anos de idade. O velório será amanhã (17/09) das 07h às 11h na Câmara Municipal de Campo Largo. O sepultamento será realizado no Cemitério de Bateias às 12h do mesmo dia.

Como maior ensinamento para a família, ele deixou um grande exemplo de humildade e simplicidade de levar a vida. Uma bisneta conta à Folha que ele “estava debilitado já fazia uns dois meses, órgãos fracos, não conseguia se alimentar direito, aí passou a não andar mais e assim foi piorando”. Félix foi casado com Josefa Ciqueira Novak, já falecida há quase 30 anos, com quem teve quatro filhos – sendo ainda vivo apenas Valdair Novak -, dez netos (um in memorian), 11 bisnetos e quatro tataranetos.

 

Ex-combatente

Campo Largo teve seus representantes na Segunda Guerra Mundial, sendo Félix um deles, sempre muito homenageado como um homem de honra e que colou seu amor à Pátria acima de sua própria vida. Ele combateu na Itália e se mostrava realizado por ter se mantido vivo em meio a tantas mortes.

Por sua história, ele recebeu o título de Cidadão Benemérito de Campo Largo. Nascido em 1921, foi convocado para ir à Guerra com 21 anos, junto com outros 33 mil soldados. Durante sua vida teve que conviver com séria dificuldade auditiva, resultado do uso de uma metralhadora ponto 50 que manuseava como também de todo o cenário de guerra – “1.500 tiros por minutos”, segundo ele. Ele conta que quando chegaram na Itália, já viram toda a destruição, as péssimas condições em que o povo se encontrava e muito barulho dos tiros de metralhadoras, o que justifica o símbolo da Força Expedicionária Brasileira, de uma cobra fumando.

Em uma entrevista à Folha, ele contou: “A guerra sabe como é, só se via morte e mais nada. Rajada que dava os alemães, quando viam, eles não vinham de cinco, seis, dez, vinham de mil, mil e quinhentos cada vez”, declara ele que presenciou a morte de muitos companheiros. “A gente pensava em nada lá, porque não tinha o que pensar. Podia pensar só da morte. A gente quando vai de um jeito, num apuro como nós ‘tava né’, num ataque nós ‘tava tuda’ vida. Nós lá dia e noite, nunca via casa ‘né’, só trincheira. Mas o que nós sofremos muito sabe. Olha que passamos sede, fome, passamos de tudo, de tudo. Nós lá tinha dia que ficava três dias sem comer, sem beber água, sem nada. Então não é vergonha contar, então pra molhar a garganta nós tinha que urinar e tomar a urina pra molhar a boca, senão morria de sede né”, detalha o ex-combatente.

Foram dois anos sofrendo, longe da família, mas foi recompensador quando os brasileiros chegaram ao topo do Monte Castelo, como afirma Félix Novak.

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