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Recordar é Viver

Atendendo um pe­dido especial da Fa­mília Barrichello nesta edição está sendo re­publicada uma matéria na íntegra, veiculada no dia 29 de Novem­bro de 1981 do Jornal de Campo Largo, como uma homenagem pós­tuma ao João Barri­chello, que faleceu no dia 24 de Setembro de 1982 (36 anos).

Por: Lauro

Atendendo um pe­dido especial da Fa­mília Barrichello nesta edição está sendo re­publicada uma matéria na íntegra, veiculada no dia 29 de Novem­bro de 1981 do Jornal de Campo Largo, como uma homenagem pós­tuma ao João Barri­chello, que faleceu no dia 24 de Setembro de 1982 (36 anos).

“Ele está vivo, mas não tem corpo”

Nascido na Ferraria, nasceu fazendo amigos. Cresceu fa­zendo amigos, viveu fazendo amigos. Amigos que lhe queriam como amigo. Desde as crianças do Sacre Cour de Marie em Curitiba que ele há anos transportava aos seus adversários em campo de futebol. Na última quarta-feira, 25 de novembro mor­reu João Barrichello.

Um dia ele parou pensou: “Minha vida vai ser vivida”. As­sim, viveu, vendo a vida. Jamais se preocupou com o dia de amanhã, viveu intensamente o dia de hoje e todos os dias que lhe foram amanhã. Mesmo o enfarto que há seis anos lhe deixou em um hospital, não o assustou em relação a vida ou morte. Esquecia dos remédios, do peso, da hora do sono e continuou levando uma vida absolutamente normal, onde não desprezou nem mesmo uma “peladinha” numa manhã de sá­bado ou todas as regalias de uma boa feijoada, acompanhada por uma boa cervejinha. E o coração acompanhou a vontade da mente por seis anos. Seis anos de seus 48 anos. Mas seis anos bem vividos. João Barrichello morreu dormindo de ma­drugada, numa morte boa, sem sofrer nem chorar.

Aliás dormir foi algo que ele sempre fez, sempre gostou. Dormia onde houvesse uma sombra. Até em campo de futebol. Ah, mas aí um detalhe: desde que não jogasse o Fanático. O time do peito, o time da raça, “o melhor do mundo”. E ai daque­le que falasse mal do Fanático, do Leão da Baixada, do time de 57, do Douglinhas ou do amigo Roberto. Sem filhos adotou o Fanático para os seus momentos tristes e alegres, foi seu sofri­mento e sua paixão. João Barrichello morava sozinho e em sua casa apenas uma fotografia dele com “Rei Laurinho” e uma fai­xa de Bicampeão da Taça Paraná.

Sempre gostou de política. Fez política e sem querer foi político. Queria ser candidato a vereador e ficou feliz há quinze dias seu nome saiu no O Jornal dando conta do fato. Sempre acompanhou seus amigos Newton Puppi e Emigdio Pianaro. E sempre foi sincero com os dois: “desta vez ganha você, desta vez perde você”. João Barrichello morreu ocupando um cargo da administração municipal, lidando com manutenção de moto­res e máquinas trabalhando com gente, um binômio que sem­pre fez e sempre gostou de fazer.

Vinícius de Morais num poema infantil escreveu “Estou vivo mas não tenho corpo, sou vida mas não tenho forma”. João Barrichello é mais um que se encaixa nestes versos. O “Barrica” não morreu, ficou incorporado no patrimônio da cida­de, dos amigos, das crianças, nos homens. Está vivo, mas não tem corpo.

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