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Atleta trans ganha o direito e joga vôlei em Campo Largo

Priscila Fogaça foi a primeira atleta transgênero a participar dos Jogos Abertos do Paraná. No jogo de vôlei feminino no domingo (14), entre Araucária e Paranaguá, no Colégio Sagrada Família, a vitória da fase regional pelo time de Paranaguá foi além das quadras, por ser uma conquista também de inclusão.

Por: Danielli Artigas de Oliveira

Crédito foto: William Bilches/JAPS

Campo Largo foi sede, neste último final de semana, dos Jogos Abertos do Paraná, divisão B. No jogo de vôlei feminino no domingo (14), entre Araucária e Paranaguá, no Colégio Sagrada Família, a vitória da fase regional pelo time de Paranaguá foi além das quadras, por ser uma conquista também de inclusão.

A atleta trans Priscila Fogaça (36) tinha sido impedida de jogar, mas conseguiu o direito de defender seu time. “Com essa oportunidade, me sinto parte de uma sociedade na qual eu pago imposto, onde eu vivo, onde me sinto útil. Sinto que tenho meus valores como ser humano e como jogadora, me sinto muito feliz e acolhida”, comemorou. Ela precisou apresentar exames comprovando que faz controle hormonal, de que mantém baixos níveis de testosterona e que assim não tem vantagens físicas do hormônio masculino. “Conseguimos resolver ainda no âmbito administrativo, com uma conversa e um bom diálogo junto com a Secretaria da Educação e do Esporte e IPCE”, comentou o advogado da atleta, Marcelo Jerônimo.

A repercussão foi gerada mais nos bastidores, mas no dia do jogo foi bem aceita entre todos e conseguiu com sua equipe a vitória. A reportagem da Folha até mesmo recebeu opinião de profissional que diz que realmente a atleta não apresentava vantagens por ter corpo masculino. Ela declarou em uma entrevista na RPC que com baixa testosterona é como se pegasse um caminhão e colocasse um motor 1.0. Ela diz apresentar mais cansaço e menor resistência e por isso briga pela inclusão e igualdade.

Ela foi considerada apta pela Federação Paranaense de Vôlei e Confederação Brasileira de Vôlei e os advogados precisaram argumentar junto ao Instituto Paranaense de Ciência do Esporte (IPCE), que foi contrário à participação dela, mas voltou atrás por considerar que as leis internacionais não obrigam o monitoramento do hormônio mês a mês, assim como tinha exigido. Nem mesmo o regulamento dos Jogos Abertos do Paraná cita algo a respeito, o que precisará ser elaborado com regras mais claras levando em consideração essa nova realidade no esporte. “Nós teremos no final do ano uma discussão com toda a comunidade esportiva, na qual vamos debater o regulamento de todos os Jogos Oficiais do Estado. Esse é o momento pra gente trazer essa realidade, que é nova, pra dentro dos regulamentos e regrar todas essas situações também em nível estadual”, disse Cristiano d'El Rei, coordenador de Esportes do IPCE.

Crédito foto: William Bilches/JAPS

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